São Paulo: GM demite por telegrama e metalúrgicos entram em greve

Trabalhadores da General Motors (GM) nas fábricas de São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes, todas em São Paulo, entraram em greve nesta segunda-feira (23) depois das demissões anunciadas pela montadora. O número de cortes não foi informado – a empresa alega queda nas vendas e nas exportações. As três unidades somam 11,5 mil funcionários. Os demitidos foram comunicados por meio de telegrama no fim de semana, o que causou indignação.

“A fábrica só voltará a produzir após o cancelamento dos cortes e garantia de estabilidade no emprego para todos”, afirma o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, após assembleia com pessoal dos três turnos. A unidade tem aproximadamente 4 mil empregados –1,2 mil já estavam no chamado lay-off (suspensão dos contratos). Ali são produzidos os modelos S-10 e Trailblazer.

O acordo de lay-off, assinado em junho, prevê estabilidade até maio do ano que vem. Assim, segundo o sindicato, além de quebrar o acordo, a GM deveria ter aberto negociação antes de efetuar demissão em massa, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cancelamento das demissões

“A GM agiu de forma ilegal, por desrespeitar o acordo e a legislação, e imoral, por desrespeitar os trabalhadores. Não vamos produzir um parafuso sequer, enquanto as demissões não forem canceladas”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Valmir Mariano.

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GM demitiu no fim de semana, por telegrama 

Em São Caetano, no ABC paulista, são produzidos os modelos Spin, Tracker e Montana. A fábrica tem 7 mil trabalhadores. Já em Mogi, unidade que faz peças de montagem para a S10, são 470 funcionários.

Eles também pararam na manhã de hoje após as demissões na GM. “É um desrespeito aos trabalhadores e aos sindicatos que representam os metalúrgicos nestas regiões. A gente nunca se furta a negociar e encontrar saídas para os problemas”, reagiu Miguel Torres, presidente da Força Sindical, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e do sindicato da categoria em São Paulo e Mogi das Cruzes.

Campanha salarial

Na base do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, trabalhadores começaram a realizar paralisações por fábrica para forçar acordo salarial. De acordo com a entidade, já foram feitas greves na Otis (São Bernardo do Campo), Brasmetal e YOFC-Poliron (Diadema) e Aperam (Ribeirão Pires).

A reivindicação é reajuste salarial de 6,14%, o que corresponde a 4,06% da inflação acumulada e 2% de aumento real. Segundo o sindicato, esse acordo já contempla 13.058 metalúrgicos de 101 empresas. A data-base é 1º de setembro.